A busca constante por resultados imediatistas destrói a ousadia de profissionais com vasto potencial inovador que se tornam meros geradores de grandes ideias e soluções de baixo risco…
O mercado atual se tornou uma potência de perspectivas tamanha a diversidade de gerações que o compõem. No entanto, isso ainda é uma incógnita para grande parte dos gestores que de tão preocupados em se destacar e ganhar espaço na mente do consumidor diante de marcas, produtos e serviços altamente similares, com preços quase que imbatíveis, se deixam levar pelo impulso e pelo imediatismo de ideias mais práticas e, aparentemente, sensacionais. Isso quando não optam por investir em uma ação simplesmente porque o outro fez e obteve sucesso.
Cresce o número de iniciativas embasadas em “criatividade e inventividade” que causam grande impacto em curto prazo, mas que não oferecem resultados efetivos. Um ponto que merece atenção, já que a falta de preparo, estudo e/ou planejamento adequados dos envolvidos acaba por induzir a uma distorção muito comum quando se trata de invenção e inovação. A primeira compreende a elaboração de algo novo sem preocupação com o mercado, enquanto a segunda está relacionada a fazer algo para transformá-lo, sem necessariamente se preocupar em criar o que nunca foi feito antes.
No dia a dia, percebe-se uma preocupação demasiada com o ambiente externo. Não há dúvidas que o monitoramento deste contexto é de suma importância, mas, é necessário lembrar que suas variáveis são incontroláveis, o que torna a atuação do empreendedor bastante vulnerável, já que este tende a negligenciar o ambiente interno que deveria ser o seu escudo, a sua fortaleza, pois, este sim pode ser controlado. É preciso estar atento ao ambiente externo e focar mais na gestão adequada do capital humano associando ações e estratégias fundamentadas para obter equilíbrio e reverter os esforços em resultados duradouros. A seguir, alguns dos pontos que acabam gerando entraves junto à estas empresas e que devem ser considerados para que haja melhor desempenho e efetividade:
Pessoas: o capital mais valioso da organização é deixado para segundo, terceiro, quarto (…) plano, logo, não é de se admirar que os resultados esperados nunca sejam alcançados.
É preciso recrutar e desenvolver, continuamente, habilidades e competências individuais capazes de atuar coletivamente em ambientes constantemente mutáveis. Como? Investindo em líderes aprendizes, pesquisadores visionários, com elevado grau de percepção, adaptação e comunicação, com habilidades empreendedoras, abertos a mudanças, com vasto potencial de criação.
Cultura: em grande parte, uma barreira no processo de inovação e desenvolvimento estratégico das Micro e Pequenas Empresas.
Fator que requer muita cautela e atenção e que também pode se tornar o facilitador do processo. Cabe às lideranças romper paradigmas de modelos de gestão obsoletos. Como? O primeiro passo é a aceitação do erro como algo positivo, valorizar e incentivar a busca pelo conhecimento como ferramenta para gerar valor, cultivar o aprendizado e as experiências, compartilhar informações e recriar um ambiente receptivo e aberto ao novo. Quaisquer mudanças neste sentido devem partir da mais alta direção e das lideranças para que possam ser melhor compreendidas e praticadas pelos demais níveis hierárquicos da empresa. Lideranças precisam estar aptas para comunicar rapidamente de diversas maneiras conforme a demanda individual de seu público, sempre atenta ao feedback, no entanto, uma das melhores estratégias ainda é educar pelo exemplo.
Estratégia: a falta de foco e comunicação gera desgaste, esforços, gastos e desmotivação dos veteranos e dos recém-chegados.
Lideranças seguem em direção oposta aos objetivos organizacionais, mudam de ideia e remanejam pessoas e ações todo o tempo como se estivessem mudando a posição de objetos sobre suas mesas, confundem poder de inovação com aquisições infundadas de tecnologias e ferramentas de última geração, criando rombos desnecessários no caixa, um quadro que apesar de complexo pode ser revertido. Como? Situações como esta requerem uma avaliação e reestruturação rápida dos alicerces. O primeiro ponto é a análise geral das políticas, práticas e resultados, revisão dos objetivos, metas tal como alinhamento das ações e estratégias para alcançá-los. O planejamento estratégico é uma ferramenta essencial, mas, se não houver habilidades e competências para elaborá-lo e colocá-lo em prática os resultados serão distantes dos esperados. Outro fator que deve ser evitado é a tendência das lideranças de fazerem planos longos, ou projetarem ações que não saem do papel, não são finalizados ou adequados à necessidade do mercado. Uma vez que a empresa se encaixa em um destes patamares, a melhor e mais econômica opção ainda é buscar ajuda especializada.
Políticas Organizacionais: são inconstantes, pouco funcionais, falta clareza e compromisso das lideranças.
Políticas não condizentes com a realidade organizacional ou que não são cumpridas pelas lideranças são fontes desencadeadoras de comportamentos inadequados além de gerar descredibilidade em relação à empresa em geral por parte dos liderados. Uma vez cometido o erro é hora de reverter o cenário. Como? No decorrer do redesenho e alinhamento de objetivos, metas e ações estratégicas, é importante que as novas políticas ao serem reelaboradas também comecem a ser incorporadas pelos gestores para que no momento de seu restabelecimento junto à equipe não sejam recebidas como mais um “discurso para inglês ver”.
Organização do Trabalho: na era das redes empresariais não dá para lutar sozinho contra a maré.
De tão focados em problemas que não conseguem resolver sem auxílio especializado e nas atribuições que poderiam ser desenvolvidas por outras pessoas, gestores que começaram seus empreendimentos sozinhos e alcançaram crescimento rápido estão presos aos moldes iniciais de atuação, contribuindo para um distanciamento cada vez maior dos objetivos e metas organizacionais e precisam se libertar para que possam manter uma expansão mais estruturada e fortalecida em médio e longo prazo. Como? O desenvolvimento de redes empresariais trouxe novas perspectivas e uma boa alternativa para o micro e pequeno empreendedor é o investimento em parcerias dentro e fora de sua área, associando propostas que agreguem valor ao seu negócio, procurando ajuda especializada sempre que necessário, além das alternativas de apoio por parte de Instituições como SEBRAE, órgãos e organizações relacionados ao setor.